Sexo é dom de Deus, afirma pesquisador
“O sexo é um evento religioso”. É desta forma que o pesquisador e docente do Instituto Teologia do Corpo*, Christopher West, define a relação sexual no matrimônio, em seu livro Good News About Sex and Marriage: Answers to Your Honest Questions About Catholic Teaching (tradução livre: “A Boa Nova sobre o sexo e o casamento: Respostas às suas perguntas sinceras sobre o Magistério da Igreja Católica”).
O autor afirma que o “sexo não é um assunto periférico”, pois, é através dele, que o homem e a mulher expressam o amor matrimonial, numa entrega gratuita, fiel e total. Ele ressalta ainda que o sexo faz com que os esposos participem da vida e do amor divino, uma vez que a relação torna visível e concreto o mistério do amor de Deus.
“Deus nos deu o desejo sexual como um instrumento para aprendermos como Ele nos ama, para participarmos de sua vida divina e alcançarmos o sentido da nossa existência”, explica.
A assessora do setor pré-matrimonial da Pastoral Familiar, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, Tatiana Melo, enfatiza, a partir do escritos do Papa João Paulo II, que o corpo tem valor e que este é não uma “carapaça” que impede o ser humano de viver as coisas celestes. “O nosso corpo é parte da nossa identidade, do nosso ser. Com o nosso corpo, masculino ou feminino, nós somos chamados a amar como Deus nos ama”, elucida.
Ela destaca ainda que a prova de que o corpo humano tem valor é a encarnação de Jesus Cristo. Ao recordar as palavras do futuro beato quando destaca que o “Verbo Divino se fez carne e habitou no meio de nós”, a assessora enfatiza que a teologia precisou “abrir as portas” para o corpo humano entrar e transmitir a toda a Igreja que, com o corpo, homens e mulheres podem viver na dignidade de filhos de Deus.
Christopher West reforça a ideia de que o sexo é algo sagrado, criado por Deus e, por isso, o casamento não pode ser visto como algo “relativo”, em que as pessoas escolhem como ele deve ser. “Para que haja, de fato, o matrimônio, é preciso que ele esteja de acordo com a vontade de Deus e não com as minhas vontades”, defende.
E para conceituar o que é verdadeiramente o casamento e se distanciar de qualquer lógica relativista, o docente se utiliza das palavras de João Paulo II:
“O sacramento (do matrimônio), como sinal visível, é constituído da masculinidade e da feminilidade. O corpo, e somente o corpo, é capaz de tornar visível o que é invisível: o espiritual e o divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério escondido pela eternidade em Deus e do qual é sinal”.
Como elucida a assessora da Pastoral Familiar, quando o sexo é vivido da forma certa, ele representa uma prévia do que vai se experimentar no céu: “Nós estamos repetindo, começando a experimentar o que é um pouco desse gozo divino, que é esse casamento místico que Deus quer fazer com todos nós”.
Tatiana Melo, explica que a sexualidade é a capacidade que todo ser humano tem, com suas característica psicológicas, biológicas e espirituais, de expressar o amor e de se relacionar com os outros. Ela acrescenta ainda que, para os cristãos, a sexualidade deve ser sempre associada à virtude da castidade, pois é esta que vai ordenar e equilibrar a outra.
“A Igreja sempre nos orienta que, fora do casamento, a castidade requer a abstinência, e no casamento requer fidelidade a todas as promessas que o casal faz, no momento do Sacramento do Matrimônio, aos pés do altar”, complementa.
A assessora destaca também que a palavra "sexo" não é um verbo, mas um substantivo, isto é, é algo que o ser humano “é”, faz parte da sua identidade, da essência criada por Deus: “Deus, aos nos criar homem ou mulher, não nos criou só enquanto indivíduo, mas enquanto seres complementares, que precisam um do outro para exercitar essa capacidade de amar, não só espiritualmente, não só em alma, mas também fisicamente, através do nosso corpo”.
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