Juventude ativa!

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

LITERATURA: A expectativa dominical

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NOVA SEÇÃO NO JUVENTUDE ATIVA!

O blog Juventude Ativa.com inaugura hoje uma nova seção, Literatura, onde leremos diversos gêneros literários da língua portuguesa - contos, crônicas, diário, relato - com o viés juvenil que agrada à todas as faixas etárias. Alerta-se que as histórias aqui contadas serão inteiramente ficcionais, havendo somente um empréstimo de nomes de alguns de nossos seletos amiguinhos da Juventude Ativa. 

Inaugurando a seção, como não poderia deixar de ser, uma história de amor, porque por mais que estajamos em um mundo corrido e moderno, no fim das contas o coração fica fazendo tum tum pelo bonitinho da escola ou pela bonitinha da igreja. Divirtam-se.

A expectativa dominical

 Domingo, 10 e 14 da manhã. Hilcker pega o celular:
- Alô, Raphael, bora na praia? 
- Deixa eu dormir. Tchau - responde, sonolento, Raphael.
- Bora po, quero ficar bronzeado pra hoje à noite.
- É o que?
- É porque eu quero usar uma camisa branca hoje na reunião do Já! e se eu estiver bronzeado vou destacar mais.
- Ah, brother, cê só pode ta de brinks com a minha cara...
- É que eu li no orkut da Bianca que a cor preferida dela é branco. Ela nunca me dá ideia, to tentando chamar atenção dela. Aliás, Rapha, a Bianca é tão linda não é não?
- É, Hilcker, também acho ela linda. Mas, na moral, deixa eu dormir - desligou sem titubear, deixando Hilcker com a cara do bobão apaixonado.

A praia não rolou, mas o domingo foi de grandes expectativas, não houve corrida de Fórmula 1 ou jogo do Brasileirão que desviasse a concentração de Hilcker para o momento de encontrar sua amada. Às 18h ele começou o ritual: tomou um demorado banho, vestiu todas as possibilidades de roupas que caissem bem com a tal camisa branca. Fez um topetinho e mudou de ideia, perdeu 8 minutos para arrumar o topete e mais 8 para desfazê-lo. Depois de estar alinhado, perfumado, com todos os diálogos que ele queria ter com Bianca ensaiados exaustivamente, lhe ocorre uma dúvida: e se ela não for hoje? E se Bianca não for ao Já! hoje? Vou desperdiçar o look, pensou Hilcker. Quando lhe ocorre uma ideia fenomenal. Procurou na lista telefônica o telefone da casa de Bianca - e encontrou - e lá pelas 19:50 ligou. Caradepaumente, disfarçou a voz e perguntou: 
"Boa noite, Bianca está?"
"Quem deseja?" - perguntou uma voz masculina do outro lado da linha?
"Leonio"
"Leonio, a Bianca foi à igreja, quer deixar recado?"
"Quero não, senhor, obrigado, eu ligo mais tarde"

Serelepe, subiu em sua motoca e rumou ao Sol Nascente pensando, "é hoje!". Durante toda a reunião Hilcker tentou disfarçar, mas não tinha outra atenção senão Bianca. Ao fim, sozinho no cantinho da igreja, todo feliz, com um sorrisão, Raphael foi até ele.

- Ta feliz assim por que? Conseguiu, conversaram? Ela te deu mole? - perguntou Raphael.
- Sim! Eu consegui! Ela me ama!!!
- Mesmo? O que ela falou com você?
 - Sabe o que ela me disse? Sabe o que?
 - O que? - Raphael já estava curioso.
- Ela me disse Paz de Cristo. Quando acabou a reunião, ela me abraçou e disse Paz de Cristo. Sou o homem mais realizado do mundo. Obrigado, Deus! Sempre soube que valeria a pena ir pra igreja.

Oremos pelo Hilcker.



Leilaine Chagas
Encontro de Jovens com Cristo - Paróquia São Pedro
Grupo de Jovens JUEC - Matriz São Pedro
Colaboradora do blog juventudeativa.com 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

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O FUTEBOL E A LITERATURA


Para o brasileiro, é inevitável falar ou ouvir falar de futebol, independente se gosta ou não do esporte bretão. Principalmente em época de Copa do Mundo, fica evidente do porque vivemos no chamado país do futebol. Desde que o inglês Charles Miller desembarcou por aqui, em 1894, trazendo nas mãos duas bolas de futebol, a aceitação popular só fez aumentar. Mas, muito da atual paixão nacional que gira em torno do esporte deve-se aos incentivos – não tão inocentes – de Getúlio Vargas, exímio articulador popular, que construiu o Maracanã e trouxe a Copa de 1950 para o país, fazendo um espetáculo difícil de ser esquecido pela população. Acrescentam-se aí alguns grandes craques como Pelé, Garrincha, Zico e Ronaldo, bem como as vitórias nos mundiais de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 para fazer com que o futebol chegasse ao que é hoje: parte da vida de todos os quem nascem no Brasil. Contudo, o futebol vai além de ser o principal esporte e lazer popular do brasileiro, é apontado como uma das principais formas de alienação e controle das massas, além de movimentar bilhões em capital. Mas o que tem a ver o futebol e a literatura? Quando um esporte exerce tamanha influência a ponto de fazer parte do cotidiano de um país, com os seus termos técnicos como gol, impedimento, drible, atacante, cartão vermelho, pênalti e outros passando para as metáforas populares – como, por exemplo, chegou aos quarenta e cinco do segundo tempo – supõe-se que cedo ou tarde influenciaria artistas, sejam pintores, músicos, escultores e escritores. As obras destes artistas eternizam os seus sentimentos de pessoas comuns sobre coisas comuns, tanto é que grandes nomes da literatura já fizeram lindos gols usando apenas as palavras. Nelson Rodrigues teve até o estilo literário influenciado pelo esporte e escreveu crônicas que são lidas até hoje, anos depois das partidas narradas. E como negar algumas das célebres frases deixadas por ele?

“Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakespeariana. Às vezes, num escanteio bem ou mal batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural.”(RODRIGUES, 1963, p. 99)

E quem nunca esboçou um sorriso maroto com as hilárias crônicas de Luis Fernando Verissimo, como a comparativa "Sexo e futebol"?

“No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao mesmo tempo, avançam e recuam, quase sempre vão pelo meio, mas também caem para um lado ou para o outro, e às vezes há um deslocamento. Nos dois é importantíssimo ter jogo de cintura.” (VERISSIMO, 2009, p.119)

Acrescente à escalação deste time de escritores que foram craques fora de campo, mas colocaram as suas imaginações lá dentro das quatro linhas, como Flávio Carneiro, Moacir Scliar e Ruy Castro, alguns dos que integram o time de 22 contistas em campo
A grande jogada destes escritores foi fazer a tabelinha entre duas paixões, o futebol e a literatura, imortalizando jogos e jogadores, craques e pernas-de-pau, dribles, firulas, técnicos, juízes e mães de juízes. Assim, transformaram a arte dos pés em arte das mãos, ambas bonitas de serem vistas e capazes de encher de orgulho o coração de quem assiste, seja torcedor, seja leitor. 

Leilaine Chagas
Encontro de Jovens com Cristo - Paróquia São Pedro
Grupo de Jovens JÁ! - Paróquia São José
Grupo de Jovens JUEC - Matriz São Pedro
Colaboradora do blog juventudeativa.com