Juventude ativa!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

PAPO JOVEM: Sempre o amor

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Sempre o amor

Com as últimas palavras de Jesus antes da Ascensão, o Senhor Ressuscitado reivindica um domínio absoluto sobre toda a humanidade e sobre todos os tempos (cf. Mt 28,18-20). É em virtude desse pleno poder que Ele envia os discípulos. O mandato divino para batizar todo homem e ensinar-lhe o Evangelho vale para toda a Igreja, para cada um de nós. Mas será que a Igreja pode reivindicar um tal mandato missionário universal diante de países e nações, de culturas e de religiões, sem se mostrar intolerante e arrogante? É precisamente por causa dessa sua missão, que abraça todos os tempos e o mundo todo, que ela muitas vezes é insultada e agredida.

“O verdadeiro missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele." Papa Francisco (Evangelii Gaudium)

Cristo ressuscitado é o Senhor do universo. No entanto, Ele não é um “Cristo cósmico”, elevado acima de todas as coisas terrenas, mas foi instituído por Deus Pai como Cabeça da Igreja (cf. Ef 1,22). A plenitude do Espírito de Cristo na Igreja não é um poder ameaçador, mas responde às mais profundas necessidades humanas, capacitando-nos a amá-lo e a obedecê-lo em tudo.

O amor a Cristo é o coração da Igreja e a força que sustenta sua missão universal, “católica”. Sem amor, a Igreja deixaria de ser Igreja e seria um empreendimento humano, sempre em busca do poder.

Só porque o Senhor está conosco todos os dias, nós podemos realizar a nossa missão, tarefa aparentemente superior às nossas forças. Quem nos ensina isso é sobretudo santa Teresinha de Lisieux: “Obras grandiosas eu não consigo realizar. Não posso pregar o Evangelho, nem posso derramar o meu sangue. Mas o que importa isso? Meus irmãos trabalham em meu lugar. E eu amo por eles. Mas como posso eu expressar o meu amor, de modo que ele seja comprovado pelas obras? Eu não tenho outro meio para demonstrar a Jesus o meu amor, a não ser espalhando flores. Ou seja, não quero deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra, para tirar benefício das menores coisas e realizá-las por amor.”

Caros amigos. Pequenos sacrifícios, pequenas coisas – nesse sentido todos nós podemos nos tornar missionários do amor, de modo que a fé em Jesus se espalhe realmente até os confins da terra.

Pe. Martin M. Barta

Fonte: Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre - ACN Brasil
Retirado do Informativo Eco do Amor - maio 2016

quarta-feira, 30 de março de 2016

NEWS: "O amor antes do mundo”, primeiro livro de um Papa às crianças

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"O amor antes do mundo”, primeiro livro de um Papa às crianças



Cidade do Vaticano (RV) – O que Deus fazia antes de criar o mundo? O que acontece com nossos familiares depois da morte? Qual é a escolha mais difícil que o Papa teve que fazer na sua missão?”. Estas são algumas das perguntas respondidas pelo Papa Francisco no livro ”O amor antes do mundo”, nas livrarias italianas a partir de 25 de fevereiro. O livro - com as respostas às 31 cartas escritas por crianças de todo o mundo - foi inspirado e desejado pela “Loyola Press”, a Editora da Companhia de Jesus nos Estados Unidos, e realizado graças à interferência do Padre Spadaro SJ, que levou até o Papa as perguntas das crianças e recolheu as respostas. “É bonito responder às perguntas das crianças, mas gostaria de tê-las aqui comigo, todas! Seria belíssimo. Mas sei também que este livro de respostas chegará às mãos de tantas crianças em todo o mundo e fico feliz por isto”, escreveu Francisco

Sobre a importância desta pequena obra, a Rádio Vaticano entrevistou o Diretor editorial da “Loyola Press”, Padre jesuíta Paul Campbell, Diretor editorial da “Loyola Press”:

“Um grupo de nossos editores estava participando de um encontro e uma das ideias foi: “Não seria maravilhoso se o Santo Padre, o Papa Francisco, escrevesse um livro para as crianças? Sim, seria um ideia maravilhosa, mas como se poderia chegar até o Santo Padre para propor a ele esta ideia?”. Bem, aconteceu. Eu conheço, de fato, o Padre Antonio Spadaro, o Diretor da “Civiltà Cattolica”. E Antônio Spadaro, depois de ter falado com o Papa, nos disse: “O Santo Padre amaria escrever o livro e quer saber quando poderá ter as cartas das crianças". Assim, nós logo começamos o trabalho de recolher as cartas das crianças de todo o mundo. Tínhamos necessidade e queríamos crianças de todo o mundo, quer cristãs ou não”.

RV: O Papa Francisco disse uma vez que as perguntas mais difíceis que lhe haviam sido feitas foram por parte de crianças. É muito interessante esta perspectiva....

“Um dos aspectos que descreve este livro é que “as crianças pequenas tem grandes perguntas”. Ryan do Canadá, não-cristão, pergunta: “O que fazia Deus antes de criar o mundo?”, que é uma pergunta realmente profunda. Luca da Austrália: “A minha mãe morreu, crescerão nela asas de anjos?”. O Santo Padre disse: “As perguntas das crianças levam-nos a grandes questionamentos”. Portanto, sim, são perguntas feitas por crianças pequenas, mas são muito, muito profundas. E o Santo Padre foi muito claro: é terrivelmente difícil responder a estas perguntas!”

RV: Como editor deste livro, na versão em inglês - cujo título é “Dear Pope Francis” – quais são as expectativas, pensando nos leitores adultos e crianças deste livro?

“Esta é a primeira vez que um Papa escreveu um livro para crianças. Mas este não é somente um livro para crianças, porque as crianças fazem perguntas tão profundas. O Santo Padre responde não somente às crianças, mas aos seus pais, aos seus avós e a todos aqueles que as amam. A mensagem do Papa é uma mensagem toda de misericórdia, compaixão, esperança e amor. E no nosso mundo, hoje, cada pessoa tem necessidade de escutar uma mensagem de amor. E a minha esperança para o livro é que a mensagem do Papa alcance o maior número de pessoas possível”. (JE)


Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

SANTO DO DIA: Nossa Senhora de Lourdes

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Nossa Senhora de Lourdes

A aparição de Nossa Senhora em Lourdes, que se apresentou como a Imaculada Conceição, confirmou o dogma decretado pela Igreja quatro anos antes



Hoje queremos falar de Nossa Senhora de Lourdes, que recebeu este título pelo fato de ter aparecido nesta cidade, localizada na França.

A aparição de Maria aconteceu no dia 11 de fevereiro de 1858, numa tarde úmida e fria. A menina Bernadette, de 14 anos e analfabeta, estava procurando gravetos para o lar e teve o privilégio do encontro com Maria. Ela sentiu-se atraída por uma luz que saía de uma gruta, onde estava uma linda mulher de branco, com faixa azul , terço na mão, que a convidava a rezar.

A quem lhe perguntava como era a Senhora, Bernadette fazia esta descrição: «Tem as feições duma donzela de 16 ou 17 anos. Um vestido branco cingido com faixa azul até aos pés. Traz na cabeça véu igualmente branco, que mal deixa ver os cabelos, caindo-lhe pelas costas. Vem descalça, mas as últimas dobras do vestido encobrem-lhe um pouco os pés. Na ponta de cada um sobressai uma rosa dourada. Do braço direito pende um rosário de contas brancas encadeadas em ouro, brilhante como as duas rosas dos pés».

Como era de se esperar, ninguém acreditou na história de Bernadette, mas as aparições continuaram a se repetir. Em 25 de fevereiro, a Senhora pediu a Bernadette que raspasse um lugar na rocha para beber água. A menina obedeceu, raspou a pedra com as unhas e dali brotou um filete de água: a fonte milagrosa de Lourdes.

Curiosa sobre a identidade da mulher com quem conversava, Bernadette perguntou quem era ela. A resposta veio através da voz calma da Virgem: "Eu sou a Imaculada Conceição".
Preocupados com a história de Bernadette, que dizia ser necessário construir uma capela no local da gruta, as autoridades civis e religiosas acabaram por interditar a gruta de Lourdes.

Mas aparições continuaram até dia 10 de julho de 1858. Ao todo foram 18 aparições. A mensagem de Nossa Senhora de Lourdes consistia no chamado a conversão, oração do terço e principalmente confirmação do Dogma da Imaculada Conceição, que tinha sido declarado pela Igreja em 1854.

Maria, Mãe de Lourdes, embora seja inimiga do pecado, é amiga dos pecadores. Ela sabe dos sofrimentos e angústias que abatem sobre aqueles que são esmagados pelo peso dos erros cometidos no dia-a-dia, mas seu convite é sempre o mesmo: o melhor meio de realizar uma vida feliz é o encontro com o caminho do meu Filho Jesus. Reduzida à sua expressão mais simples, a mensagem de Lourdes pode ser sintetizada como a Virgem sem pecado, que vem socorrer os pecadores.

Desde 1858 até hoje, contínuas multidões se têm reunido em Lourdes, que se tornou o maior santuário da França. Em 1925, o Papa Pio XI declarou Bernadette bem-aventurada e, em 1933, tornou-a santa. A festa de Nossa Senhora de Lourdes é celebrada hoje, dia 11 de fevereiro. O Santuário que é marco do amor da Mãe que vem nos ajudar, e nele alcançado por intercessão de Nossa Senhora de Lourdes muitas graças.

É comum encontrarmos em nossas cidades pequenas grutas, construídas pelos devotos de Nossa Senhora de Lourdes. Estes locais são ambientes de oração e fé e mostram a profunda fé de nosso povo na Virgem Maria. Nestas grutas não faltam as imagens de Maria e da pequena Bernadette, além da água cristalina e de flores e folhagens, formando um lugar privilegiado do encontro com Deus.


Fonte: Santuário Nacional Aparecida

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PAPO JOVEM: Em busca da felicidade

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Em busca da felicidade

“Disse-vos isto para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa... O que vos peço é que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15,11-12).



Se a realização e a felicidade são o nosso sonho e a nossa aspiração maior para a eternidade por que tanta infelicidade? A promessa de Jesus seria uma promessa inatingível?

Desde nossa origem primeira na pessoa de Adão e Eva, Deus nos criou e nos chamou a viver no paraíso que não deve ser entendido tanto como um simples lugar físico ou posses de coisas, mas como um estado de vida, de comunhão, de realização e de felicidade. Como imagens de Deus somos seres livres. Temos a liberdade de escolher o caminho da vida ou da não vida. Essa é a nossa grandeza e ao mesmo tempo o nosso limite. Podemos optar pelo caminho do bem que nos realiza e nos dignifica ou optar pelo caminho do mal que nos fere gerando todos os desequilíbrios do nível pessoal ao nível humanitário.

A dura realidade de sofrimentos e de frustrações gerada pela cultura de morte no mundo em que vivemos não pode e não deve jamais ser associada a Deus, mas no mau uso da liberdade humana, fora dos horizontes de Deus, que gera a morte em cada pessoa, nos outros e na própria estrutura dos bens da criação.

É verdade de fé que Deus nos chamou à vida para sermos felizes no tempo, tendo por promessa a felicidade em plenitude na eternidade. É da natureza de Deus como perfeição absoluta de só querer o bem, desejar o bem e fazer o bem. “Deus em Jesus nos chamou para a vida e a vida em plenitude” (Jo 10,10).

Tudo o que sabemos por Jesus e pela Igreja é que temos por Deus um Pai que nos deu e dá a liberdade de O chamarmos com a intimidade de Abbá, querido Papai do céu. Um Deus que em seu Filho amado Jesus nos adotou como filhos e filhas amados nos constituindo em nosso batismo como herdeiros da vida eterna (Ef 1,2s).

A nossa realização e a nossa felicidade estão ligadas diretamente à vivência do mandamento do amor. “Amai-vos como vos amei”. Somos convidados a amarmos o Pai e nos amarmos mutuamente “como” Jesus nos amou e nos ama. Essa é a meta do amor cristão. Só que em Cristo os limites do amor é amar sem limites. A Pessoa de Jesus é a referência única para a vida cristã, o único caminho para nossa realização e a nossa felicidade.

Por Jesus viemos conhecer que o nome do nosso Deus é AMOR. Que Deus é uma Comunidade de vida e de amor eterno na Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Neste sentido o cristianismo não se resume apenas numa rica mensagem e doutrina de vida a seguir. Consiste acima de tudo num real e pessoal encontro de amor com a Pessoa de Jesus e, em Jesus, com a pessoa dos irmãos. “Sede misericordiosos como vosso Pai dos céus é misericordioso” (Lc 6,36).

Não há discipulado sem um sério compromisso de amor a Deus e de amor fraterno com os irmãos, particularmente de amor com os irmãos mais pequeninos e feridos da terra. “Quem diz amar a Deus a Quem não vê e não ama o irmão a quem vê se engana. Recebemos de Deus este mandamento: Quem ama a Deus que ame também a seu irmão” (1Jo 4,20s);(Mt 25,40).

Este foi o segredo da realização e da felicidade de todos os homens e mulheres de Deus da Bíblia, de nossos santos e continua a ser para cada um de nós.

A realização e a felicidade não se situam num ponto da vida que chegamos, mas, no modo do como buscamos orientar nossa vida com Jesus, por Jesus e para Jesus no quotidiano de nossa vida no amor de fidelidade ao Pai e no amor entre irmãos.


Escrito por Pe. Evaristo Debiasi


Fonte: AIS Brasil

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

FORMAÇÃO: O que são as indulgências? Como obtê-las?

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O que são as indulgências? Como obtê-las?

Introdução
Imaginemos a seguinte cena, tão corriqueira numa casa de família: um dos filhos, mesmo conhecendo uma proibição formal do pai, desobedece-o travessamente. O pai, ao saber do ocorrido, vê-se na contingência de punir o infrator, ainda que isto lhe seja mais dilacerante do que para o próprio filho. Entretanto, ao ser informada, a mãe pede clemência pelo pequeno travesso. Dado às instâncias maternas, não é verdade que o pai cede, em atenção ao pedido da esposa? Neste caso, o pai de família concede uma indulgência ao filho, pelo respeito à interseção maternal.

A Indulgência de Deus
A mesma situação podemos aplicar ao gênero humano, que, na pessoa de Adão, desobedeceu ao Pai Celeste. Por causa desta transgressão as portas do Paraíso nos foram fechadas e nos tornamos réus de morte; imediatamente adiantou-se Nosso Senhor Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, e conquistou para nós, na Cruz, a misericórdia que não merecíamos. Diante de tamanha intercessão, Deus Pai se dobra amorosamente à vontade do Filho, e poupa o gênero humano: Deus nos é indulgente, pelo valor da interseção de Cristo.

Contudo, como é próprio a Deus de tudo fazer com a mais exímia e amorosa excelência, imolou-se Deus Filho num sacrifício perfeitíssimo, consumido no altar da Cruz, oferecendo seu Sangue para nos resgatar. Mesmo sabendo que apenas uma gota seria suficiente para remir toda a humanidade, Cristo bebeu até o fim o Cálice amargo da Paixão, e verteu todo o seu Sangue, "ele o derramou - ensina-nos o Papa Clemente VI - não como pequena gota de sangue, que todavia em virtude da união ao Verbo teria sido suficiente para a redenção de todo o gênero humano, mas de modo copioso[1]", expiando assim em superabundância os pecados dos homens. Esta exuberância no sacrifício da Cruz fez transbordar o tesouro dos méritos de Cristo em favor da humanidade. Tal tesouro foi dado à Igreja administrar, para consolo dos pecadores, "e, por razões piedosas e razoáveis, para ser ministrado misericordiosamente aos verdadeiramente penitentes e confessados, para total ou parcial remissão da pena temporal devida pelos pecados [2]".

Notamos, deste modo, que há um tesouro inexaurível comprado por Cristo para ser distribuído aos pecadores, e a este montante devemos ainda acrescentar os méritos da Santíssima Virgem Maria e de todos os justos. Precisamente, quando nos é oferecido, chamamos a este tesouro de indulgência.

Indulgências da Igreja
Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (1471), por indulgência se entende a "remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados, cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela ação da Igreja, a qual, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos"[3].

Notemos que é a Igreja quem, na pessoa de seu pastor, o Papa, nos dispensa este tesouro. Pois, com efeito, no poder que Nosso Senhor conferiu a São Pedro - e a seus sucessores - de abrir ou de fechar as portas do Céu aos homens (Mt 16,19), está contido o poder de retirar todos os obstáculos que impeçam o ingresso de uma alma no Céu. Ora, como sabemos, as penas temporais, que resta a uma alma pagar depois de ter seus pecados perdoados, são um obstáculo para seu ingresso na Morada Celeste.

De fato, precisamos estar cientes que o pecado acarreta uma dupla conseqüência. Quando é grave "priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, nos torna incapazes da vida eterna; tal privação se chama ‘pena eterna' do pecado"[4]; esta primeira conseqüência é o que comumente se chama de pecado mortal[5]. Mortal, pois mata em nossa alma a caridade, a vida da graça, ao se infringir gravemente a Lei de Deus. Este pecado desvia o homem de seu próprio Criador, fazendo-o preferir e amar mais um bem inferior do que a Deus mesmo.[6] A pena para a alma que morre neste estado, que não aceita o perdão divino, é a condenação eterna, o inferno, pois ela mesma não quererá voltar-se para Deus e pedir-lhe perdão, terá feito uma escolha irreversível de recusa a Deus.[7] A segunda conseqüência é que, qualquer pecado, seja mortal ou venial "acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado ‘purgatório'. 

Esta purificação liberta da chamada ‘pena temporal' do pecado".[8] Recordemos que o pecado venial não mata a vida divina na alma, porém enfraquece a caridade e pré-dispõe para o mortal, além de se traduzir pelo apego desordenado às criaturas, que exigirá uma purificação.[9]

No sacramento da penitência, ao ser absolvido, o pecador é perdoado de suas faltas, não está mais privado da comunhão com Deus; porém resta-lhe ser purificado da pena temporal, deste apego prejudicial em relação às criaturas, que maculou sua alma. Esta purificação, como vimos, pode se dar após a morte, no Purgatório, ou por uma misericórdia de Deus, ela pode ser apagada ainda nesta vida pelas indulgências, que são o tesouro da satisfação de Cristo. A parcela do tesouro dos méritos de Cristo, nós a podemos receber de modo parcial: quando apenas uma parte da pena temporal é apagada; ou de modo pleno: quando ela é apagada inteiramente[10], é o que se chama de indulgência parcial e indulgência plenária.

Como lucrar indulgências?
Todo fiel pode, desde que cumpra os requisitos necessários, lucrar uma ou várias indulgências num mesmo dia, ou ao longo de sua vida. Contudo, Paulo VI, em sua Constituição Apostólica Indugentiarum Doctrina, sobre a revisão das indulgências, nos explica os requisitos a serem cumpridos para se receber uma indulgência plenária: "fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as três seguintes condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice.[11] Requer-se além disso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial."[12] Contudo, na falta de algum destes requisitos o fiel pode lucrar uma indulgencia parcial. Para se lucrar uma indulgência parcial requer-se ao fiel que cumpra a obra prescrita para tal.

No que tange à indulgência plenária, com seu maternal desvelo, a Santa Igreja prevê as dificuldades que poderiam ocorrer para se cumprir, num mesmo dia, todos os requisitos necessários a fim de lucrá-la; desta maneira, anima-nos Paulo VI: "As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita; mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Soberano Pontífice se façam no mesmo dia em que se faz a obra."[13] Outra prova inequívoca da bondade de Nossa Mãe, a Santa Igreja, é o fato de que nós podemos aplicar as indulgências que lucramos, tanto as parciais, como as plenárias, em sufrágio pelas almas dos defuntos que estão no purgatório.

Antes mesmo de mostrar os modos concretos para se lucrar as indulgências, cumpre lembramos um fato que ocorreu com Santa Teresa de Jesus, para vermos a importância que se deve dar às indulgências.[14] Certo dia, extasiada e encantada, pôde a santa contemplar a alma de uma religiosa, falecida naquele instante, e que subia radiante, diretamente para o Céu. O curioso é que a bendita alma rumou para o Céu, sem sequer passar perto do purgatório, sendo que muitos achavam que a falecida era uma freira simples, sem maiores virtudes, e, por conseguinte, com suas falhas, como todos os homens. Lembremos o que escreveu São João: "Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós."[15] O fato é que, mais tarde, em um dos colóquios da grande Santa Teresa com Nosso Senhor, o Divino Mestre explicou a ela o motivo do privilégio da freira defunta. Contou o Senhor Jesus que aquela alma sempre teve grande confiança nas indulgências concedidas pela Igreja; e sempre se esforçou para ganhar o maior número delas. Como vemos, a freira soube usar do tesouro que a Igreja, maternalmente, põe à nossa disposição para, após a morte, irmos diretamente ao Céu.

Após termos visto o que são as indulgências, as disposições e as condições necessárias para recebê-las, concluiremos este artigo vendo quais obras devem ser observadas por um fiel a fim de lucrá-las tais indulgências.[16]

Indulgências parciais
- Se pode lucrar indulgência parcial quando se cumpre seus deveres e se tolera, à imitação de Cristo, as aflições de nossas vidas, elevando a Deus o espírito com alguma piedosa invocação, mesmo que seja apenas em pensamento. Ao alcance de todos, esta indulgência pode ser facilmente recebida. Com efeito, todos nós, em qualquer situação em que nos encontramos - seja o de religioso, casado, solteiro, ou ainda um trabalhador, um estudante, etc... - todos encontramos dificuldades e aflições, cada um em seu âmbito específico. O que é preciso é elevarmos nossos espírito e oferecer tudo a Deus, seja rezando (por exemplo: Ave-Maria, Pai-Nosso, Credo), seja pensando piedosamente n'Ele, para lucramos tantas indulgências quanto o número de oferecimentos que fizermos.

- Também quando, com espírito de fé e com misericórdia, um fiel dispõe de seus bens, ou ainda de si mesmo, em atenção e serviço aos mais necessitados. Quando excuta uma obra de caridade. Contudo, para que lucre a indulgencia parcial, é preciso que tal obra caritativa esteja mesmo voltada para o serviço dos irmãos mais carentes. Nisto percebemos que mais lucra quem dá do que quem recebe, pois, o que são os bens materiais em comparação com a libertação ou diminuição das penas temporais?

- Lucra ainda indulgência parcial o fiel que, espontaneamente, com espírito de penitência, se abstém de coisa que é inteiramente lícita e agradável. Com isto, o fiel é ajudado a refrear suas más inclinações, e, sujeitando seu corpo, se conforma mais estritamente a Cristo. Estes são os pequenos sacrifícios do dia-a-dia, que podemos oferecer a Deus e por amor a Ele nas mais variadas circunstâncias: sendo solícito para com um irmão que nos pede algo que é de si árduo, tendo paciência com os demais, sendo obedientes às autoridades competentes, sobretudo quando nos pedem algo de difícil - porém nunca para algo contrário à moral - não comendo uma deliciosa sobremesa, por exemplo.

- Recebe indulgência parcial, todo fiel que professa publicamente sua fé, quando dá livremente um testemunho de fé diante dos demais, nas circunstâncias particulares da vida no dia-a-dia.

- Também outros atos ou orações nos fazem lucrar indulgências parciais, como: a recitação de ladainhas (as devidamente aprovada pela autoridade eclesiástica), o Creio em Deus, o Magnificat (Minha alma engrandece o Senhor, Lc. 46-55), a Salve Rainha, o Lembrai-vos ó piíssima Virgem Maria, a oração ao Anjo da Guarda (Santo Anjo do Senhor), o Salmo 50 (Senhor tem piedade, segundo a vossa bondade), o sinal da Cruz, uma comunhão espiritual, visitas breves ao Santíssimo Sacramento para adorá-Lo, entre outras orações.
O mesmo para os fiéis que portam devota e religiosamente alguns objetos de piedade, como: crucifixo, cruz, terço, escapulário, medalha. Note-se que estes objetos devem estar validamente abençoado. Entretanto, se o objeto foi bento pelo Santo Padre, o Papa, ou por um bispo, o fiel que o porta devotamente obterá uma indulgência plenária, no dia da festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (29 de junho), sendo preciso fazer uma profissão de fé sob forma legítima, como a recitação do Creio.

Indulgências plenárias
Há ainda as indulgência ditas plenárias, que, como vimos, apagam totalmente as penas temporais - daí seu valor intrínseco ser maior. Para lucrá-las cumpre também observar os três requisitos que mencionamos acima, bem como desapegar-se de todo tipo de pecado. Ganha-se uma indulgência plenária quando:

- Se faz uma adoração ao Santíssimo Sacramento de ao menos meia hora.

- Se faz a leitura das Sagradas Escrituras ao menos por meia hora, com a devida veneração e à maneira de leitura espiritual. Note-se que deve ser um texto aprovado pela autoridade competente. Ao fiel impossibilitado de ler por si, poderá lucrar a indulgência quando outro ler para ele, ou quando ele acompanhar uma leitura da Bíblia em áudio ou em vídeo.

- Se reza o rosário de Nossa Senhora numa igreja, numa capela ou oratório, ou ainda em família ou numa comunidade religiosa.

- Quando se recebe com piedade e devoção a bênção dada pelo Papa, urbi et orbi, para Roma e o mundo, também é válida a bênção que for ouvida na rádio, acompanhada na televisão, ou ainda se for acompanhada mentalmente - outra faceta da maternal bondade da Santa Igreja.


- Ao fiel que se dedicar a aprender ou ensinar a reta doutrina cristã. Grande incentivo para crescermos nos conhecimentos divinos e no amor a Deus.

- Ao fiel que participar piedosamente de uma solene procissão eucarística.

- Ao fiel que, na Sexta-Feira Santa, participar da adoração da Santa Cruz, na solene celebração litúrgica.

- Aos fieis que fazem sua primeira comunhão, e ainda aos que assistem a uma cerimônia de primeira comunhão.

- Ao sacerdote que, no dia marcado, celebra sua primeira Santa Missa, bem como para os fiéis que a assistirem.

- Ao fiel que, na celebração da Vigília Pascal, ou no dia do aniversário de seu batismo, renovar suas promessas batismais por alguma forma legitimamente aprovada.[17]

- Há ainda as indulgências plenárias que qualquer um de nós pode receber, porém que são aplicáveis somente às almas do purgatório, quando: visitar devotamente um cemitério entre os dias primeiro e oito de novembro, e lá rezar pelos defuntos. Ou quando no dia dois de novembro (dia dos fiéis defuntos), visitar uma igreja ou um oratório e aí rezar um Creio e um Pai-Nosso.

Pe. Michel Six, EP


Fonte: Arautos do Evangelho
Referência às citações do texto em:

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PALAVRA DA IGREJA: Laudato Si': o cuidado da casa comum

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Laudato Si': o cuidado da casa comum


Em meio ao caos ambiental em que vivemos atualmente, o Papa Francisco nos faz um alerta. Através da Carta Encíclica Laudato Si', o Papa propõe um diálogo sobre nossa "Casa Comum", nosso planeta.

A Encíclica faz um diagnóstico minucioso dos males do planeta: poluição, mudanças climáticas, desaparecimento da biodiversidade, débito ecológico entre o Norte e o Sul do mundo, antropocentrismo, predomínio da tecnocracia e da finança que leva a salvar os bancos em detrimento da população, propriedade privada não subordinada ao destino universal dos bens. Sobre tudo isto parece prevalecer uma cultura do descartável, algo que leva a explorar as crianças, a abandonar os idosos, a reduzir os outros à escravidão, a praticar o comércio dos diamantes de sangue. [1]

Vale a pena refletir, com a ajuda das palavras de Francisco, sobre como temos cuidado da preciosidade que nos foi dada por Deus.

Você encontra a Laudato Si' clicando aqui.

E abaixo, um vídeo que mostra 10 conselhos do Papa para cuidarmos do meio ambiente em nossa vida cotidiana!





[1] Ajuda à Igreja que Sofre - AIS Brasil - (http://www.ais.org.br/oracao/palavra-viva/item/909)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

FORMAÇÃO: 10 perguntas sobre o Ano Santo da Misericórdia

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10 perguntas sobre o Ano Santo da Misericórdia

No dia 8 de dezembro de 2015, festividade da Imaculada Conceição, o Papa Francisco abriu a Porta Santa na Basílica de São Pedro de Roma, ao mesmo tempo em que foram abertas as portas santas de todas as dioceses do mundo, para que todos possam viver o Jubileu. O Ano Santo da Misericórdia.

Apresentamos, a seguir, 10 perguntas essenciais sobre como viver o Ano Santo, de acordo com a bula papal Misericordiae vultus, com a qual o Papa convocou este jubileu.

1. O que é um Ano Santo ou Jubileu Extraordinário?
Na tradição católica, o Jubileu é o ano que a Igreja proclama para que as pessoas se convertam em seu interior e se reconciliem com Deus, por meio da penitência, da oração, da caridade, dos sacramentos e da peregrinação, “porque a vida é uma peregrinação e o homem é um peregrino” (MV 14). Em todos os anos santos é possível ganhar indulgências, graças especiais que a Igreja concede e que podem ser aplicadas à remissão dos próprios pecados e suas penas, ou também aos defuntos que estão no purgatório. O lema deste Ano Santo é “Misericordiosos como o Pai”, e a principal intercessora do Jubileu é Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe de misericórdia. A cada 25 anos, a Igreja celebra um Ano Santo Ordinário. O próximo será em 2025. Fora dos anos santos ordinários, a celebração do Ano Santo é “extraordinária”.

2. Por que este Ano Santo é o da misericórdia?
O Papa quis que o tema fosse a misericórdia para nos unir mais ao rosto de Cristo, no qual se reflete a misericórdia do Pai, que é “rico em misericórdia” (MV 1). A misericórdia é superior à justiça. Deus é justo, mas vai muito além da justiça, com sua misericórdia e seu perdão. E é isso que podemos vivenciar neste Ano Santo.

3. Quando começa e quando termina este Ano Santo?
O Ano Santo começa no dia 8 de dezembro de 2015, com a celebração dos 50 anos do final do Concílio Vaticano II, e termina na festa de Cristo Rei, em 20 de novembro de 2016, o último dia do ano litúrgico.

4. O que o Papa pede que façamos?
O Papa Francisco insiste na iniciativa “24 horas para o Senhor, que desejo que seja celebrada em toda a Igreja”, entre a sexta-feira e o sábado antes do 4º domingo da Quaresma, porque “é expressão desta necessidade da oração”. Além disso, ele aconselha que pratiquemos as obras de misericórdia, além de viver intensamente a oração, o jejum e a caridade na Quaresma (MV 17); também recomenda que nos confessemos, para poder receber melhor as graças do ano jubilar. E que cada um realize uma peregrinação, de acordo com suas capacidades, para atravessar a Porta Santa.

5. É preciso ir a Roma para atravessar a Porta Santa e ganhar indulgências?
Não. Você pode ir à catedral da sua diocese ou às igrejas e basílicas destinadas a isso. Em cada diocese haverá uma Porta Santa e, cruzando-a, você ganhará as indulgências do Ano Santo (quando a peregrinação for acompanhada de confissão, comunhão no dia da peregrinação, um ato de fé – recitação do Credo – e uma oração pelo Papa).

6. O que são as obras de misericórdia?
Existem 14 obras de misericórdia, 7 espirituais e 7 corporais.

Obras de misericórdia corporais:
  • Dar de comer a quem tem fome;
  • Dar de beber a quem tem sede;
  • Vestir os nus;
  • Visitar os doentes;
  • Visitar os presos;
  • Acolher os peregrinos;
  • Enterrar os mortos.

Obras de misericórdia espirituais:
  • Dar bom conselho;
  • Corrigir os que erram;
  • Ensinar os ignorantes;
  • Suportar com paciência as fraquezas do próximo;
  • Consolar os aflitos;
  • Perdoar os que nos ofenderam;
  • Rezar pelos vivos e pelos mortos.


7. O que são e o que fazem os “missionários da misericórdia”?

O Papa Francisco anunciou que enviará padres em todas as dioceses, chamados “missionários da misericórdia”, os quais poderão celebrar missões pregadas nas paróquias e despertar o chamado à misericórdia. Além disso, poderão perdoar pecados muito grandes, como crimes mafiosos, assassinatos cometidos para enriquecer, bem como o gravíssimo pecado da corrupção.

8. É necessário se confessar no Ano Santo?
Durante o Ano Santo, a reconciliação com Deus é vivida especialmente através do sacramento da confissão, muito unido ao da Eucaristia. É aconselhável confessar-se várias vezes ao longo do Jubileu, para experimentar mais profundamente a misericórdia de Deus.

9. Qual é a importância do Ano Santo no pontificado de Francisco?
O centro do pontificado do Papa Francisco é a misericórdia de Deus e, portanto, este ano jubilar é um dos pontos altos do seu pontificado.

10. O Ano Santo é importante para outras religiões?
A misericórdia “ultrapassa os confins da terra” (MV 23); ela nos relaciona com o judaísmo, como se vê no Antigo Testamento, em que a misericórdia de Deus é evidente; também os relaciona com o islamismo, que atribui ao Criador os nomes de “misericordioso” e “clemente”. O Papa Francisco pede o diálogo com todas as “nobres tradições religiosas” do mundo.


Fonte: Ajuda à Igreja que Sofre

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

SANTO DO DIA: Os Santos Inocentes

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Os Santos Inocentes


Hoje a Igreja celebra os Santos Inocentes, festa instituída pelo Papa São Pio V.

Após o nascimento de Jesus, Herodes, cheio de ira, mandou matar todos os meninos menores de dois anos que viviam em Belém e arredores.


Tal fato demonstra o profundo ódio que Herodes sentia pelo menino Jesus e o medo que tinha de perder seu trono para o Verdadeiro Rei.

Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os “santos inocentes”, cultuados e venerados pelo Povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem “confessar” sua crença. [1]

A passagem bíblica a seguir, retirada do evangelho de São Mateus narra esse s acontecimentos:

Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo". Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda Jerusalém. Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. E eles responderam: "Em Belém da Judeia; pois assim escreveu o profeta: "Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor em meio às principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo". Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: "Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo". Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo. Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra. E, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho. A fuga para o Egito. Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e lhe disse: "Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu diga a você, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo". Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite e partiu para o Egito, onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: "Do Egito chamei o meu filho". Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias: "Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem". (Mateus 2, 1-18).

Essa atitude de extrema crueldade de Herodes nos incentiva a refletir sobre o extermínio de crianças que acontece na atualidade. A violência, a fome, a miséria e o assassinato de crianças pelo aborto, por exemplo, fazem nossos pequenos inocentes sofrem a mesma crueldade que sofreram aqueles do tempo de Jesus.

Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna, segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após a visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem, com sua presença, a manjedoura do Menino Jesus. [2]

Que os Santos Inocentes intercedam pelas nossas crianças e nos ajudem a lutar sempre por suas vidas e dignidade.


Referência:


[1]; [2] Santo do dia, por Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (http://www.franciscanos.org.br/?p=59763).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

FORMAÇÃO: Natal: silêncio e ternura

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Natal: silêncio e ternura

Neste artigo reflete-se sobre o valor do silêncio: Advento é o tempo da espera humilde do Salvador, da alegria plena pelo Seu nascimento.


“Na sua encarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura" [1]: o Papa Francisco mostra que, no mistério de Cristo, os sinais manifestam a ternura de Deus. E Santo Inácio de Antioquia diz que se conhece ao Senhor no Seu silêncio.
O tempo de Natal é anunciado por um Advento onde a moderação e o relativo silêncio dos instrumentos musicais na liturgia são sinais da espera humilde do Salvador, da alegria plena do Seu nascimento [2].

O Verbo faz-se carne e O contemplamos Menino: “infans", em latim, o que literalmente significa “que não fala". A Palavra não sabe falar. O silêncio de Deus convida à contemplação, à admiração, à adoração. O Verbo abreviou-se, dizem os Padres da Igreja: o Filho de Deus fez-Se pequeno para que a Palavra esteja ao nosso alcance, sinal silencioso e terno que pede amor.

A liturgia estende esse silêncio a toda à natureza. “Enquanto um profundo silêncio envolvia o universo e a noite ia no meio de seu curso", reza o livro da Sabedoria, desceu do céu, “a vossa palavra onipotente" (Sb 18, 14-15). A aplicação deste texto ao nascimento de Jesus remonta provavelmente ao judeu-cristianismo, quer dizer aos primeiros tempos da Igreja [3].

A Palavra não sabe falar. O silêncio de Deus convida à contemplação, à admiração, à adoração.

A recitação do Ângelus vespertino nasceu da crença de que naquela hora, quando cai o silêncio da noite, a Virgem Maria recebeu a saudação do anjo. Pouco a pouco, o costume de recitar essa oração ao meio dia se estendeu, pedindo então, no século XV, pela paz da Igreja[4].

Maria, e José, o silencioso, voltarão a Nazaré: trinta anos de silêncio de Jesus, gostava de sublinhar São Josemaria [5]. Virá a vida pública, e inclusive um dia Cristo calar-se-á diante de Herodes “com um divino silêncio" [6].Isaías tinha profetizado: “No silêncio e na esperança residirá a vossa fortaleza"; São Josemaria aplicava-o também à adversidade: “Calar, confiar" [7]; pois, como dizia Bento XVI, as circunstâncias adversas “são misteriosamente «abraçadas» pela ternura de Deus"[8]. Com palavras de Francisco, “aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: «[…] Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor» (Lm 3,26)"[9].

Foto: archangel-raphael
Um poeta francês diz que os pensamentos são pássaros que só cantam quando estão na árvore do silêncio. O cristão pensa e reza: “Dias de silêncio e de graça intensa... Oração face a face com Deus..."[10].

Na pluma de São Josemaria, a palavra “silêncio" é frequentemente usada com os adjetivos fecundo, alegre, amável [11]. O trabalho calado é eloquente, o esforço silencioso dá frutos[12]…

O silêncio respira paz, humildade, descanso, serenidade, e até eficácia; permite o recolhimento. Elias escutou Deus “num sussurro de brisa suave", literalmente “na voz de um fino silencio" (1Rs 19,12), que expressava a intimidade de uma conversa [13].

São necessários tempos de “silêncio interior", constata São Josemaria[14]. Como diz a Beata Madre Teresa de Calcutá, “Deus fala no silêncio do coração. […] O fruto desse silêncio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. E o fruto do serviço é a paz. Porque a paz provém de quem semeia o amor transformando-o em ação"[15].

Dá paz procurar um certo silêncio no trabalho, na família e na sociedade. Segundo uma bela tradição cristã, pode tender-se para o silêncio quando começa a tarde, em memória da paixão do Senhor, e guardá-lo durante a noite, para descansar n'Ele. Depois da morte na cruz virá o silêncio do sepulcro, até à glória da ressurreição. O grande silêncio dos cartuxos e de tantos religiosos acompanha e apoia a oração de toda a Igreja.

Foto: FreedomHouseDC.
O silêncio leva a estar atento aos outros e reforça a fraternidade. O Evangelho pede, como recorda o Papa Francisco, “um exercício perene de empatia, de escuta do sofrimento e da esperança do outro"[16]. A ternura de Deus torna o nosso coração sensível, próximo. Abre-nos aos outros e descobrimos, com palavras de São Josemaria, “pessoas que necessitam de ajuda, de caridade e de carinho"[17]. Num tempo em que parece que temos que encher todo o nosso dia de iniciativas, de atividades, de ruído, é bom fazer silêncio fora e dentro de nós para poder escutar a voz de Deus e a do próximo.

Cada Advento evoca a alegre espera da segunda vinda do Senhor. Quando se abre o sétimo selo do Apocalipse, faz-se um silêncio no Céu (Ap 8, 1) que nos prepara para o mistério trinitário. O Céu cala porque reza, em humilde espera a manifestação de Deus. Como diz o Pseudo-Dionísio, veneramos em respeitoso silêncio o inefável de Deus: adoramos[18].

O Concílio Vaticano II recomenda na santa liturgia o “silêncio sagrado" diante de Deus[19]. Assim, durante a celebração eucarística, assinala Francisco, os corações “fazem silêncio e deixam-no falar a Ele"[20]. O Prelado do Opus Dei recorda como os tempos de silencio convidam a assembleia reunida na caridade a “escutar as sugestões íntimas" do Espírito Santo[21].

A ternura de Deus manifesta-se nos sinais… Segundo uma bela expressão dos Padres, aprendamos a ler esses «modos de ser» de Deus, que se nos revela em Jesus Cristo. Acompanhemos o silêncio de Maria e de José. “Caía a tarde, num silêncio denso... Notaste muito vivamente a presença de Deus... E, com essa realidade, que paz!"[22].

Guillaume Derville


Fonte: Opus Dei
Referências às citações do texto em:

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

PAPO JOVEM: Irmãs Unidas: Santas Clara e Inês de Assis

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Irmãs Unidas: Santas Clara e Inês de Assis

Clara

Clara queria ser freira, mas seu pai, que já era muito rico, queria casá-la com alguém que aumentasse a fortuna da família. Clara, com a permissão da mãe e consentimento do Bispo foge de casa numa madrugada estrelada, para a igrejinha de São Damião, onde Francisco lhe corta o cabelo, sinal de consagração a Deus.

Inês

Clara tinha uma irmã mais moça de quatorze anos, de nome Inês. Esta, não suportando a separação e animada por Clara que orava por ela, poucos dias depois, abandonou também a casa e fugiu para o convento de Santo Ângelo das irmãs Beneditinas, onde Clara estava hospedada até conseguir um convento próprio.

Doze homens fortes e bem armados, comandados pelo tio Monaldo, receberam ordens do pai das moças para trazer ao menos Inês de volta, ainda que por meios violentos. Diante daquela demonstração de força, as freiras de Santo Ângelo decidiram mandar a jovem embora.

E agora?

Inês, não aceitou ir, arrastada pelos cabelos e espancada com brutalidade, ela gritava, pedindo socorro a Clara que rezava, invocando ajuda de Deus. De súbito, o corpo de Inês torno-se pesado e rígido como um bloco de pedra. Os doze robustos homens esforçam-se por arrastá-la. Tomado de fúria, o tio tentou esmagar-lhe a cabeça com suas luvas de ferro, mas fica com o braço paralisado no ar. Clara, então, aproximo-se, tomou sua irmã toda esfolada, semimorta, no colo e a levou para dentro do convento. Que coragem! Você lutaria assim por sua vocação?

Anos depois, outra irmã de Clara e Inês, a Beatriz foi juntar-se a elas no convento. E após a morte do pai, as três irmãs receberam também a mãe no convento das Clarissas, em consideração a primeira das seguidoras de São Francisco: Santa Clara de Assis.

De onde veio a força de Clara e Inês? Pequenas, delicadas, jovens, frágeis… e venceram um exército! De onde vinha a força de Clara e Inês de Assis? Do Espírito Santo de Deus, peça a Ele a força que você precisa para permanecer fiel a Jesus.